sábado, 11 de julho de 2015

Mulheres consomem mais sedativos do que homens

Relatório mundial sobre drogas produzido pelas Nações Unidas mostra que, embora haja uma mulher em cada três usuários, apenas uma em cinco consegue tratamento.
Homens são maioria quando o assunto é uso de drogas, mas as mulheres os superam no consumo de tranquilizantes. Os dados são do relatório mundial sobre drogas publicado pelo Escritório de Drogas e Crimes da Organização das Nações Unidas (UNODC, na sigla em inglês) e apresentado em Viena.
Entre os principais dados levantados sobre as tendências atuais no mercado mundial de drogas está o consumo de substâncias por mulheres. A responsável pela pesquisa e análise dos dados do relatório, Angela Me, afirma que, embora haja uma mulher em cada três usuários de drogas, apenas uma em cada cinco consegue tratamento.
O estudo mostra ainda que mulheres que sofrem de transtornos decorrentes do uso de substâncias costumam vir de famílias nas quais há outros casos semelhantes, além de tender a apresentar história de responsabilidade familiar excessiva e mais conflitos do que os homens, relacionados à criação dos filhos e traumas na infância e vida adulta. Muitas mulheres identificam ainda problemas de relacionamento como causa do uso excessivo de substâncias e apresentam problemas psiquiátricos.
O resultado das pesquisas entre a população geral da América do Sul, América do Norte e Europa Central e Ocidental mostra que mulheres consomem o dobro de sedativos e tranquilizantes que os homens, durante toda a vida, no período do último ano e nos últimos 30 dias. Na Europa, o uso desse tipo de medicamento é duas vezes maior que o consumo de maconha, anfetamina, cocaína e opioides.
Mulheres que consomem drogas injetáveis também estão mais vulneráveis, conforme os dados da Unaids. A combinação de sexo desprotegido e compartilhamento de seringas faz com que a incidência de HIV em mulheres seja maior do que em homens em diversos países.
A coordenadora da pesquisa ressalta que uma das principais desvantagens das mulheres que apresentam problemas decorrentes do uso de drogas é a dificuldade no acesso ao tratamento. Os programas existentes não consideram as necessidades específicas da mulher e as barreiras encontradas incluem a falta de apoio no cuidado de crianças, além da dificuldades para o custeio do transporte e do tratamento em si. Não são raras as atitudes punitivas que recebem e tornam ainda mais difícil o início e a manutenção do tratamento.
O relatório mundial de drogas é publicado anualmente pelo UNODC e a última edição trata das tendências do mercado de drogas de uso ilícito e desenvolvimento alternativo. Entre as conclusões do trabalho surge uma nova perspectiva sobre prevenção e tratamento. Cerca de 27 milhões de pessoas no mundo precisam de ajuda, mas apenas uma em cada seis pessoas consegue obtê-la.
 Um grande volume de pesquisa indica que hoje, tanto organizações governamentais como não governamentais apresentam base científica suficiente para promover ações adequadas no tratamento de pacientes. “Chegamos à conclusão de que a melhor maneira de medir o sucesso de um tratamento é avaliar o bem-estar geral da pessoa enquanto ela está sendo tratada. Não antes, nem depois”, completa Angela Me.
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