domingo, 15 de fevereiro de 2015

A globalização e a argenti(chi)nalização do Mercosul

Sem poder contar com a ajuda americana decorrente sobretudo do calote de 2001, posteriormente venezuelana pelo empobrecimento do parceiro latino-americano e também após a morte de Hugo Chaves, a Argentina vê na China uma alternativa de apoio na oferta de capital. Na tentativa de salvar o problema do financiamento ao governo Cristina, a China sinaliza oportunidades como adjudicação direta das obras de infraestrutura por grupos chineses nas licitações argentinas, além da criação de facilidades trabalhistas, tais como permitir a vinda de chineses para atuar nos projetos argentinos em detrimento do trabalhador local. 
Logicamente, esses trabalhadores estrangeiros regidos pela lei chinesa e não argentina.

Entre os pontos e o apelo de ajuda ao governo chinês, destacam-se questões importantes e fundamentais para a economia argentina neste momento, como o déficit fiscal crescente, a queda dos investimentos estrangeiros no país, a redução das reservas do Banco Central, a perda de respaldo político internacional e os conflitos com sócios do Mercosul, leia-se em especial o Brasil. Além disso, a falta de recursos para investir em infraestrutura.

Este convênio, tal como foi denominado, tem como alvo o mercado brasileiro em especial. Ao permitir a “nacionalização” de produtos produzidos por clusters ou plataforma de produtos ensamblados na Argentina, o país vizinho estará dando ao mesmo conteúdo nacional o trânsito no Mercosul como produto argentino, em que pese ser genuinamente chinês.

A mesma estratégia, é bom lembrar, foi tentada pela China na província de Aragon, na cidade de Zaragoza, onde em meio à crise espanhola recente, o governo chinês acenou com compra da dívida do país e até financiamento de infraestrutura, desde que tivesse uma base ensambladora de produtos para entrar no mercado europeu através da Espanha, o que provocou uma reação estrondosa como agora na Argentina - pelo menos lá isto não foi aprovado.

O resumo e alvo disto é que esta estratégia, já em curso, deteriorará ainda mais a indústria de transformação não só da Argentina em dificuldade, mas sobretudo do Brasil, em especial do Rio Grande do Sul em setores como calçados, móveis, máquinas etc.

Salve-se quem puder, de Mercado Comum do Sul, como originalmente foi denominado o Mercosul, passamos ao Mercosul e à chinalização das economias do bloco, infelizmente.

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